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domingo, 9 de novembro de 2014

ROTEIRO DE APRESENTAÇÃO (ADRIANA ALVES)

ANÁLISE SOCIOLÓGICA

  1. INTRODUÇÃO:
O nosso trabalho irá abordar um pouco sobre a análise sociológica, que seria uma corrente de estudo, a qual podemos nos valer para estudar e analisar um texto literário, não pela vida do autor, da estrutura, mas apartir do contexto histórico-social em que o autor produziu a sua obra.

l  REPRESENTANTES:
      A idéia de que a obra literária, em sentido amplo, constitui um modo de representação da realidade tem certo trânsito entre renomados teóricos e estudiosos da literatura, tais como René Wellek e Austin Warren;
       Erich Auerbach;
      Afrânio Coutinho;
      Antonio Candido e outros.
 Adotando este pressuposto básico e ampliando-o em direção às indagações em torno das relações entre literatura e sociedade, apresenta-se-nos a necessidade de uma reflexão sobre como os métodos sociológicos de abordagem do texto literário, ou mais especificamente a chamada sociologia da literatura, entenderiam o problema da representação da realidade pela literatura.
l  ORIGENS:
Este interesse dos pensadores em compreender as relações entre literatura e sociedade não é recente, embora tenha tomado mais fôlego, principalmente, na segunda metade do século XX, com a publicação, na França, em 1963, de A teoria do romance, de Georg Lukács, bem como dos estudos, ainda na década de 1950, de Lucien Goldmann, um dos mais atuantes divulgadores dos estudos sociológicos aplicados à literatura. Segundo Jean-Yves Tadié, o que hoje podemos chamar de sociologia da literatura teria suas origens teóricas ainda em princípios do século XIX. Embora não menos importantes, estas origens remontam à passagem do século XVIII para o século XIX.
  • POSTULADOS:
A partir da segunda metade do século XIX, as contribuições para a formalização de uma sociologia da literatura vão aumentar consideravelmente, recebendo influências inclusive das teorias científicas em vigor na época.
Hyppolite Taine esboça, por volta de 1853, a sua teorização determinista através do trinômio raça-meio-momento, cuja principal ressonância seria a de relacionar, ou condicionar, uma realização literária (e, portanto, a personalidade que a produziu) a um contexto que não é apenas histórico, mas também cultural, social e racial. Desta forma, a produção literária estaria irremediavelmente (e a priori) condicionada a elementos exteriores a ela. Esta perspectiva de estudo da obra literária acarretaria em problemas para o próprio método, cuja principal acusação sofrida é a de relegar a realidade interna das obras a segundo plano em benefício da explicação dos fatores condicionantes..
É importante ressaltar que o campo metodológico da sociologia da literatura se ampliou a partir da contribuição de diversos pensadores, tais como Walter Benjamin, Theodor Adorno, Arnold Hauser, Jean-Paul Sartre, entre outros. Se, por um lado, estas contribuições geraram divergências metodológicas, por outro demonstrou-se a possibilidade de investigar as relações entre literatura e sociedade delimitando campos específicos de pesquisa (algumas vezes em diálogo com outros campos), dando à sociologia da literatura uma amplidão de perspectivas investigativas tão diversificadas quanto as da sociologia.
As tendências de delimitações metodológicas para o estudo sociológico da literatura, grosso modo, têm se apresentado mais freqüentemente da seguinte forma:
 o estudo marcado pelo exame, e pelo relacionamento, entre um determinado corpus no âmbito literário (p. ex. uma determinada manifestação num dado estilo de época, um gênero, etc.) e as condições histórico-sociais;
 o estudo centrado na consideração do autor e de sua situação histórico-social, bem como de sua situação no campo intelectual; neste âmbito, pode situar-se inclusive o estudo do escritor e suas condições de produção, problemas de remuneração, etc.;
 o estudo centrado em problemas relativos à obra literária, sua publicação, distribuição, circulação, inclusão no cânone literário, etc.;
 o estudo centrado no público leitor e sua relação com as obras: o consumo, o sucesso (ou insucesso) de obras, ressonâncias provocadas pelas obras (nos leitores), etc.
Estas perspectivas de estudo, entre outras ligadas à sociologia da literatura, podem trazer um problema para os estudos literários, como observa Luiz Costa Lima: subordinar a obra literária “ao propósito de entendimento dos mecanismos em operação na sociedade”. Também Antonio Candido, em seu ensaio “Crítica e sociologia” de Literatura e sociedade, aventa a possibilidade de o valor e o significado da obra serem relegados em benefício da explicação sociológica, tornando o dado exógeno ao texto literário o verdadeiro motor da análise. No entanto, no mesmo ensaio, Candido reconhece perceber uma atitude de mudança, por parte dos teóricos e dos críticos, na constituição do método, qual seja, o do estudo do elemento social na obra não mais como uma relação de condicionamento meio-obra (sendo a obra, desta forma, uma ilustração de determinadas dinâmicas sociais), mas numa perspectiva de “interiorização” do elemento social como elemento estruturador da obra.
Perspectiva estética
A primeira concepção, chamada de tendência estética ou idealista, baseia-se em fontes estéticas ou psicológicas provenientes do autor e sua obra para estudar o conteúdo literário, marginalizando as condições sociais como centro de foco de atenção em suas análises. Essa tendência considera o campo social como interferências que atuam nas obras em segundo plano, as quais estão primeiramente sujeitas aos processos estéticos ou psicológicos advindos das capacidades criativas do autor.
Essa concepção idealista define a estética e a cultura como esferas à parte na manifestação literária, completamente autônomas uma da outra. Romances, contos e poesias seriam aí expressões da individualidade e da singularidade do autor-gênio. Porém, essa postura fundada no indivíduo genial se contradiz quando situamos esse sujeito no campo artístico de sua época, investigando o vínculo entre os conflitos sociais de seu tempo e as questões históricas presentes em sua obra. Não que o escritor não possua a liberdade de ação criadora, mas que esse talento possua limites objetivos: o campo social e os hábitos aí firmados são centrais para entenderem-se as manifestações desses sujeitos.
Perspectiva materialista
A segunda perspectiva para se analisar as obras literárias é a tendência materialista. Essa concepção de estudos sociológicos no campo da literatura foi o método mais utilizado em análises da relação entre a obra e seu meio social, desde a segunda metade do século XIX (CANDIDO, 1967).
Do século passado aos nossos dias, essa sociologia literária tradicional esforça-se por estabelecer relações entre o conteúdo expresso da obra com o conteúdo da consciência coletiva de sua época. Os estudiosos consideram aí o material literário como um reflexo da realidade social, limitando-se então a analisar o que é transplantado da esfera da sociabilidade para a ação e falas das personagens, enredos, etc.
Essa postura metodológica, baseada de forma polêmica e reducionista no materialismo histórico, desenvolvido inicialmente por Marx, ao afirmar “(...) que os indivíduos são dependentes, portanto, das condições materiais de sua produção” (MARX & ENGELS, 1976, p. 19), torna-se emblemática, quando, de forma mecânica, reduz toda a atividade cultural (literatura, música, teatro, etc) a uma mera dimensão superestrutural dependente e determinada pelas condições materiais. Ela define as manifestações culturais como um campo secundário; que simplesmente tende a espelhar a infra-estrutura ou a base econômica. Esse reducionismo, apesar de inverter a ótica idealista advinda da posição estética, continua a disseminar a falsa separação entre cultura e sociedade (WILLIAMS, 1979).
Fundamentando uma nova Metodologia para a Sociologia da Literatura
Mediante as inconsistências teóricas advindas das perspectivas idealista e materialista, surge uma outra tendência no ramo sociológico da literatura: a posição mediadora. A idéia de mediação surge com a intenção de problematizar a teoria do reflexo social, pois demonstra que não só a esfera social é ativa na criação literária, mas também há um processo ativo por parte do imaginário do autor nesse contexto. Quer dizer, analisando uma obra artística a partir dessa postura é considerar que a questão social não está refletida diretamente na arte, pois ela é captada por um processo (imaginário do ficcionista) que altera seu conteúdo original (FACINA, 2004).
Com base nessa perspectiva, a literatura expressa as visões de mundo que são coletivas de determinados grupos sociais. Essas visões de mundo são constituídas pela vivência histórica desses grupos, formada pela ação dos indivíduos, que são construtores dessa experiência. São elas que compõem a prática social dos sujeitos e seus grupos sociais. Nesse caso, analisar as visões de mundo transformadas em textos literários, investigando aí as condições de produção e a situação sócio-histórica de seu autor, deve ser o foco de estudos para a investigação sociológica:.
Portanto, cabe ao cientista social indagar a si mesmo como essas visões de mundo tornam-se coesos e a partir de quais pressupostos valorativos presentes nas relações sociais elas se utilizam para essa coesão. O objetivo da análise sociológica é o de desvendar a lógica do “jogo de poder social” e demonstrar como esse fenômeno é retratado na obra artística. Assim, a partir dessa discussão, pode-se propor três aspectos da atividade literária a serem observadas em pesquisas de âmbito do sociológico:
1) A estrutura social – constitui a mediação entre a obra de arte e as dimensões da realidade social em que ela está inserida. Isso significa observar como as pressões que os valores culturais, os grupos sociais, as posições políticas vigentes e o público do literato vão exercer na elaboração e aceitação do texto literário em seu respectivo período histórico.
2) O gênero literário – as tendências artísticas possuem suas normas, suas “leis internas”, suas tradições e predileções. Tais aspectos privilegiam certos temas e marginalizam outros. É a partir desse “código estético” que o autor se pautará para se dirigir ao público e críticos, além de eleger determinadas normas de seus gênero literário ao abordar os temas em seu texto.
3) O autor – a posição constituída pelo artista implica no valor dado ao seu imaginário, os seus intuitos individuais; as formas e os conteúdos que ele pretende atribuir a sua obra e expectativa de como ele será aceito pelo público.
Lembrando que não há prioridade de um fator sobre o outro, pelo contrário, a postura mediadora de análise consiste em considerar que esses três atributos estão profundamente imbricados uns aos outros dentro da obra de arte. Esse tipo de procedimento metodológico possibilitará encontrar as atividades intelectuais, políticas, sociais e econômicas de forma agrupada nas estruturas de conteúdo das obras literárias estudadas e, assim, ser possível estabelecer entre elas o conjunto de relações inteligíveis que a mensagem do texto tende a mostrar – homologias (GOLDMANN, 1967).

SINTESE DO ASSUNTO:
Diante das reflexões teóricas aqui discutidas, verifica-se que deve-se propor a superação das posições idealistas e materialistas na fundamentação metodológica da sociologia da literatura. Ao invés disso, buscando um modo mais abrangente de análise, a literatura deve ser tomada como um campo que diz respeito a um conjunto de práticas, contextos e atores sociais se auto-definindo e se auto-regulando. Quer dizer, o estudo sociológico da atividade literária deve observar as práticas que dizem respeito não só à estrutura social, mas aos intuitos do escritor e dos diversos agentes culturais envolvidos na produção e apropriação do texto literário. A obra literária não é mero reflexo da consciência coletiva ou individual, mas a concretização das ações sócio-culturais tomadas por um grupo social na definição da consciência coletiva: a produção literária corresponde à estrutura mental de um determinado grupo social. Desse modo, a obra literária de uma dada sociedade e época é o resultado de diversas práticas, pressupostos, concepções expressas em valores e posturas reconhecidos enquanto tal pela coletividade.
REFERENCIAL TEORICO:


l   NETO. Miguel Leocádio Araújo. A sociologia da literatura: origens e questionamentos .Mestre em Literatura Brasileira–UFC. Agosto de 2007. p.15









UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
CENTRO DE EDUCAÇÃO LETRAS E ARTE – CELA
CURSO LETRAS PORTUGUÊS
DISCIPLINA TEORIA DA LITERATURA II











ANÁLISE DAS APRESENTAÇÕES DOS GRUPOS SOBRE AS ANÁLISES BIOGRÁFICA, SOCIOLÓGICA, PSICOLÓGICA, FILOSÓFICA, FORMALISTA, ESTRUTURALISTA E NEW CRITICISM.



ADRIANA ALVES DE LIMA
ERISON BENTO DA SILVA
IDUL SANTOS MODESTO FILHO
SUZANA NASCIMENTO DE LIMA
WILLIANICE SOARES MAIA





Trabalho apresentado ao curso de Letras Português da Universidade Federal do Acre, para obtenção da nota N2 da disciplina Teoria da Literatura II, ministrada pela professora Alzenir Rabello.




RIO BRANCO-ACRE

2009


ANÁLISE DAS APRESENTAÇÕES DOS GRUPOS SOBRE AS ANÁLISES BIOGRÁFICA, SOCIOLÓGICA, PSICOLÓGICA, FILOSÁFICA, FORMALISTA ESTRUTURALISTA E NEW CRITICISM

De acordo com as apresentações e com nossas pesquisas, consideramos que foi muito proveitoso para ampliarmos nossos conhecimentos. Diante do que foi exposto concluímos que podemos analisar qualquer obra, mas, não é possível aplicarmos todas essas correntes numa mesma obra, sendo que esta é o foco principal e é através dela que o autor expressa os seus sentimentos e/ou pensamentos que muitas vezes não pode extravasar de outra forma.
Na análise biográfica temos que analisar a vida do autor e aplicarmos na obra, acredita-se que o autor passa para obra os seus sentimentos e emoções, na verdade essa análise assemelha-se muito da histórica. O método biográfico valora a obra pelo seu criador, a vida do autor explica seus escritos.
Já na análise sociológica mediante nossa pesquisa, vimos que o autor leva para sua obra aspectos que representam a sociedade de sua época para criticar ou mesmo elogiar assuntos relativos à história, política e religião que muitas vezes não se podia expressar verbalmente. Além disso, a análise sociológica vai estudar a obra e o que ela reflete na sociedade, ou seja, ela vai abordar esses dois aspectos: como o autor trás os problemas sociais para dentro da obra literária e como essa obra pode refletir na sociedade que tem acesso a ela.
No método psicológico, podemos significar o estudo psicológico do escritor como indivíduo ou o estudo do processo de criação, como também, o estudo psicológico dos personagens ou os efeitos da literatura sobre os leitores. Dentro dessa abordagem temos ainda a psicanálise que é um campo clínico e de investigação teórica desenvolvido por Sigmund Freud que se propõe a compreensão e analise do homem, compreendido enquanto sujeito do inconsciente. Para Freud, o inconsciente é um depósito de rejeitos do consciente, isento de movimento e estático, se forma a partir do consciente. A psicanálise analisa a obra a partir das atitudes dos personagens, buscando identificar na obra elementos que caracterizem o inconsciente, motivos que levaram o autor a escrevê-la, buscando entender até que ponto a obra é criação artística ou expressão pessoal.
O método filosófico pode ser abordado sob duas perspectivas: existencialista, a origem e o sentido da existência e materialista que investiga as causas e efeitos dos problemas da vida. Nesse método o autor não passa pelos problemas que ele aborda, mas exprime a atitude particular do poeta em face desses problemas ideológicos. Para Sidney poeta popular adequado é o escritor que observa, analisa e interpreta na sua obra a realidade dos outros.
O formalismo russo é um método, onde os formalistas tencionavam criar uma ciência da literatura, que deveria afastar-se de quaisquer aspectos extraliterários, concordando sobre a natureza autônoma da linguagem poética e sua especificidade como um objeto de estudo. Também tem como princípio definir um conjunto de propriedades características da linguagem poética (seja ela poesia e prosa) que pudesse ser reconhecida por sua “articidade”, e como método a análise dos aspectos intrínsecos do texto literário. O formalismo russo ainda tem como objeto a linearidade do texto, ou seja, aquilo que lhe confere caráter literário, a sua preocupação é abordar o texto intrinsecamente, sem revelar aspectos externos.  
A estilística tem como princípio as disciplinas voltadas para os fenômenos da linguagem, tendo por objeto o estilo. Seu campo de estudo é mais amplo que o da retórica, não se limitando ao uso da linguagem com fins exclusivamente literários, mas interessa-se pelos usos lingüísticos correspondentes às diversas funções da linguagem, tanto na investigação da poeticidade, quanto na apreensão da estrutura textual e na determinação das particularidades da linguagem devido a fatores psicológicos e sociais.
O estruturalismo é uma corrente de pensamento nas ciências humanas que se inspirou no modelo da linguística e que aprende a realidade social como um conjunto formal de relações, e esse conjunto forma a estrutura. Sua metodologia aborda práticas culturais, linguagem humana e textos literários com intuito de analisar as relações entre as menores partes desses sistemas, dessa forma explora as inter-relações através das quais o significado é produzido dentro de uma cultura.
O New Criticism foi um movimento crítico, que exerceu considerável influência em muitos setores da crítica européia e sul-americana que defendia uma abordagem intrínseca do objeto literário, abolindo os traços das abordagens extrínsecas, históricas, bibliográficas e sociológicas. O New Criticism era regido pelos princípios da Teoria Mimética, seu método era textual e seu objeto o texto em si.
Diante do que já foi exposto acima, podemos afirmar que foi muito interessante nos depararmos com essas correntes, pois, tivemos além de mais conhecimento, uma nova forma de olhar e analisar uma obra, jamais olharemos uma obra literária com os mesmos olhos de antes, sem questionar os motivos que levou o autor a escrevê-la.