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domingo, 9 de novembro de 2014

A INVENÇÃO DA AMAZÔNIA


Se a América foi inventada por um sonho expansionista europeu, a Amazônia podia constituir, talvez mais que em qualquer outro lugar do mundo, como continuidade desse devaneio. Do século XVI ao XIX, a região foi literalmente invadida pelo homem europeu.
Gondim afirma que “a Amazônia foi uma invenção” faço das palavras da autora minhas palavras, pois a Amazônia não foi descoberta, esse termo só foi intitulado com a chegada dos portugueses.
Como se pode descobrir algo que já existe há centenas de anos?
Souza afirma “que quando os europeus chegaram ao século XVI, a Amazônia era habitada por um conjunto de sociedades hierarquizadas”. Ou seja, a partir dessa afirmação, vale ressaltar que a Amazônia brasileira já existia antes da chegada dos colonizadores.
A invenção da Amazônia se deu a partir dos relatos de viagens escritos pelos viajantes, missionários, etc. No livro A invenção da Amazônia (2007), de Neide Gondim, temos um painel dos primeiros viajantes cronistas, como também dos ficcionistas, que escreveram sobre aquela região até o século XX. A grande maioria desses aventureiros deixa o seu registro de entusiasmo, preconceito e fantasias. Essas viagens acendem o imaginário do homem europeu, pois estes sonhavam com o “paraíso e a fonte da eterna juventude”.
O paraíso aí se funda como o reino das possibilidades. Para Colombo e os outros navegadores que o seguiram, o Oriente seria a fonte para todo um imaginário fabuloso (Gondim, 2007). O impacto disso é tão forte no Ocidente que vamos encontrar essa associação ainda no século XVII, quando viajantes, por exemplo, procuravam o desconhecido e o fantástico na Amazônia.
A invenção da Amazônia se deu a partir de ideologias desde a escritura bíblica, fazendo um percurso pela Idade Média até os nossos dias. Acreditava-se que existia aqui na terra um paraíso, igual o descrito na Bíblia, que era o jardim do Éden, onde habitava Adão e Eva. Muitas foram às ideologias disseminadas e que acenderam o imaginário do homem europeu, pois este acreditava que esse “Paraíso ou El – dourado” existia e era uma cidade coberta de ouro e que possuía um rio onde suas águas conservassem a juventude eterna.
Cada imaginário se preenche com os limites de sua própria ansiedade. Ao tentar conquistar o desconhecido compreende-se uma oportunidade de domar o seu próprio imaginário. Mais uma vez, o detonador dessa aventura é uma especiaria. Ouvia-se falar muito no país da Canela; as mulheres guerreiras surgem como um misto de idealidade e sugestividade ao ambiente. Elas dão o toque feminino de medo do desconhecido. A relação com o mito grego das Amazonas obedece, portanto, a uma estratégia de nomeação.
Percebe-se que A Invenção da Amazônia se dá a partir das construções ideológica de um território, que é parte de um conjunto de mitos e fabulações que os europeus inventaram a América. Nesse caso, se a América foi inventada e não descoberta o que nos resta é simplesmente dar continuação a essa invenção, pois o próprio texto não nos mostra uma busca pela verdade e continua a falar em invenção. 
REFERÊNCIAS
GONDIM, Neide. A Invenção da Amazônia. 2ª Ed. Editora Valer. Manaus, 2007.
SOUZA, Márcio. Breve História da Amazônia. (pág. 22- 27).


LOPES, Moita. Afinal, o que é Linguista Aplicada?1996.

            O autor aborda que há muito o que se discutir sobre a natureza de Linguista Aplicada, e que muitos pesquisadores no Brasil, que tem apontando-a como inútil, e que não produz nada. Portanto o autor sugere que a melhor maneira de se identificar L. A é no sentido de estabelecê-la como área de investigação, que é através do desenvolvimento de pesquisa.
            O autor afirma que na verdade o que querem é estabelecer regras e padrões para investigação em L. A. Ou seja, para um novo modelo ser aceito, este tem que ter argumentação, tem que ter o poder de influenciar dentro da comunidade científica.
            Moita Lopes (1996) defende o argumento que o que interessa a L.A, não é impor limites, dizer o que é Linguística e o que é L.A, mas tem como objetivo aperfeiçoar os modos como se realiza a pesquisa em L.A.
            Antes a L.A se identificava como aplicação de teoria linguista, ou seja, só para resolver problemas de ensino de línguas. Observamos que a L.A pode ser entendida como uma área de investigação aplicada, mediadora, interdisciplinar, centrada na resolução de problemas de uso da linguagem, que tem foco na linguagem de natureza processual que colabora como avanço do conhecimento teórico, e que utiliza métodos de investigação de natureza positiva e interpretativista.

            O autor se posiciona utilizando esses pontos como percurso de pesquisa em L.A. E cita que cada pesquisador, ou linguista aplicado, tem sua metodologia para trabalhar.

MITO FUNDADOR E SOCIEDADE AUTORITÁRIA

CHAUÍ, Marilena. Mito fundador e sociedade autoritária. 6ª reimpressão. Fundação Perseu Abramo. São Paulo. 2006.
No texto percebe-se que a autora vem levantar as indagações de quando e como se construiu o mito de ter orgulho de ser brasileiro? E qual o papel que essa idéia desempenha em nosso país, na capa do livro já inicia com uma pergunta pertinente que vale a pena ressaltar, no momento em que o Brasil é incitado a festejar os seus 500 anos, há realmente o que se comemorar?
Essas e outras questões são levantadas no texto, que possui uma linguagem simples, para quem já tem algum conhecimento prévio e essa leitura busca nos aproximar de uma visão mais abrangente da história brasileira.
No decorrer do texto observa-se que a autora vai relacionar vários acontecimentos históricos, que vai desde a colonização até a independência do Brasil. Percebemos que no texto ocorre uma intextualidade e a interdisciplinaridade, pois o mesmo faz muitas referências a outros textos e contextos históricos que exige um conhecimento prévio de leitura, pois se não há tivéssemos não conseguiríamos entendê-lo.
No capítulo “Com fé e orgulho” Marilena faz uma retrospectiva de tudo o que aprendemos desde cedo na escola, que é a valoração a nossa nacionalidade e o significado de nossa bandeira.
De acordo com o texto todos nós fazemos nossas as palavras daquele que é considerado o primeiro brasileiro do Brasil, Rocha Pita, quando, em 1730, escreveu:
[...] “Em nenhuma outra região outra região se mostra o céu mais sereno, nem de madruga mais bela a aurora; o sol em nenhum outro hemisfério tem raios tão dourados, nem os reflexos noturnos tão brilhantes; as estrelas são mais benignas e se mostram sempre alegres [...]”.
Aqui o autor Rocha Pita citado pela autora Marilena, ressalta esse nacionalismo brasileiro, colocando como se o Brasil fosse o melhor país do mundo e a mesma evoca bastante o hino nacional.
Nesse primeiro capítulo a autora vai lá às nossas origens para que possamos entender o porquê de nos sentirmos orgulhosos de sermos brasileiros.
[...] “Sabemos todos que somos um povo novo, formado pela mistura de três raças valorosas: os corajosos índios, os estóicos negros e os bravos e sentimentais lusitanos. Quem de nós ignora que da mestiçagem nasceu o samba, no qual se exprimem a energia índia, o ritmo negro e a melancolia portuguesa? Quem não sabe que a mestiçagem é responsável por nossa ginga, inconfundível marca dos nossos campeões mundiais de futebol? [...]”.
No decorrer da leitura a autora aborda outros questionamentos, que por sermos mestiços, desconhecemos preconceito de raça, cor, credo e classe?
No texto são citadas duas pesquisas, que foram realizadas em 1995, no qual o objetivo de pesquisa era saber se os entrevistados sentiam orgulho de ser brasileiros e quais os motivos de orgulho. O resultado da pesquisa afirma que 60% sentiam orgulho e que apenas 4% disseram sentir vergonha. E um dos motivos por serem orgulhosos é a natureza, o caráter, esportes, música, carnaval, trabalhador, alegre e outros...
No último parágrafo deste capítulo vemos ser abordada uma crença generalizada do que o senso comum diz sobre o Brasil e não é tão difícil de compreender porque é um assunto próximo da nossa realidade, ao qual convivemos e ouvimo-la constantemente. 
O Brasil “é um dom de Deus e da natureza”; tem um povo pacífico, ordeiro, gênero, alegre etc. No mesmo capítulo é levantada uma contradição levantada por esse mesmo “senso comum”, quando vemos em ação, isto é, quando resolve imaginariamente uma tensão real e produz essa contradição que passa despercebida. “É assim, por exemplo, que alguém pode afirmar que os índios são ignorantes, os negros são indolentes, os nordestinos são atrasados etc.”
É a partir desses questionamentos, que nos aprofundaremos no “Mito fundador”.  A palavra mito de acordo com o texto “não será apenas no seu sentido etimológico de narração pública de feitos lendários da comunidade (isto é, no sentido grego da palavra mythos), mas também no seu sentido antropológico, no qual essa narrativa é a solução imaginária para tensões, conflitos e contradições que não encontram caminhos para serem resolvidos no nível da realidade”.
A palavra “fundador” é utilizada porque é à maneira de como esse mito impõe um vínculo interno com o passado como origem, isto é um passado que não cessa nunca. Ou seja, algo que perpassa o tempo, gerações. Esse mito que não cessa, sempre encontra novos meios de se manifestar, utilizando novos meios, novas linguagens, valores e idéias.
Marilena aborda a noção como semióforo para designar tipos de relíquias e oferendas, os espólios de guerra, as aparições celestes, os meteoros, certos acidentes geográficos, certos animais, os objetos antigos, os documentos raros, os heróis e a nação.
“[...]Semeiophoros é uma palavra grega composta de duas outras: semeion “sinal” ou “signo”, e phoros, “trazer para a frente. Como semáforo, era um sistema de sinais para a comunicação entre navios e deles com a terra. Como algo precursor, fecundo ou carregado de presságios, o semióforo era a comunicação com o invisível, um signo vindo do passado ou dos céus, carregando significação com conseqüências presentes e futuras para os homens [...]”.
“[...] Com esse sentido, um semióforo é um signo trazido à frente ou empunhado para indicar algo que significa alguma coisa e cujo valor não é medido por sua materialidade e sim por sua força simbólica. [...].”
Como foi citado anteriormente, um semióforo é, pois, um acontecimento, um animal, uma pessoa retirados do circuito do uso ou sem utilidade direta e imediata na vida cotidiana porque são coisas providas de significação ou de valor simbólico, capazes de relacionar o visível e o invisível, seja no espaço, seja no tempo, pois o invisível pode ser sagrado (um espaço além de todo espaço) ou o passado ou o futuro distantes (um tempo sem tempo ou eternidade), e expostos à visibilidade, pois é nessa exposição que realizam sua significação e sua existência. É um objeto de celebração por meio de cultos religiosos, peregrinações a lugares santos, representações teatrais de feitos históricos, comícios e passeatas em datas públicas festivas, monumentos; e seu lugar deve ser público: lugares santos (montanhas, rios, lagos, cidades), templos, museus, bibliotecas, teatros, cinemas, campos esportivos, praças e jardins, enfim, locais onde toda a sociedade possa comunicar-se celebrando algo comum a todos e que conserva e assegura o sentimento de comunhão e de unidade.
No texto também é ressaltado que no modo de produção capitalista não pode haver semióforos, pois, no capitalismo, não há coisa alguma e pessoa alguma que escape da condição de mercadoria.